A notícia de que Gabo, como é conhecido, está se aposentando parece inacreditável.

Macondo, a cidade imaginária criada pelo genial escritor Gabriel Garcia Marquez, era o lugar onde as coisas inacreditáveis pareciam comuns. Mas com a notícia de que Garcia Marquez está se aposentando, aquilo que é comum, um dia as pessoas param, parece inacreditável.

Gabriel Garcia Marquez sempre buscou inspiração em Aracataca, cidade onde nasceu no norte da Colômbia, em 6 de março de 1928. Gabo, como é conhecido, foi criado pelos avós, cercado de gente e superstições. Aos 12 anos foi para uma escola jesuíta, onde tomou gosto pela leitura. Aos 18 publicou o primeiro texto. Foi cronista, crítico de cinema. Seu filme favorito era o faroeste clássico “Matar ou Morrer”.

Gabriel Garcia Marquez começou a escrever a sua novela mais famosa, “Cem Anos de Solidão”, quando tinha apenas 16 anos, na Colômbia. Mas o livro só foi publicado 23 anos depois, em Buenos Aires. A editora Argentina que comprou os direitos do livro, fez apenas oito mil exemplares, que se esgotaram em uma semana.

O livro já vendeu mais de 30 milhões de cópias. Narra a saga de sete gerações da família Buendia. Nele, fatos inacreditáveis parecem coisas normais do cotidiano. É o realismo mágico ou fantástico, estilo que consagrou Garcia Marquez.

“Uma realidade que não é a do papel, mas a que vive com a gente e determina cada instante de nossas incontáveis mortes cotidianas”, disse Garcia Marquez, ao receber o Prêmio Nobel de Literatura em 1982. Modesto, afirmou que “teve que pedir muito pouco à imaginação”. Escreveu mais de 40 livros. Muitos viraram filmes. Um dos maiores clássicos, “O Amor nos Tempos do Cólera”, conta o amor impossível entre Florentino Ariza e fermina Daza.

O escritor sempre esteve perto da política e da esquerda latino-americana. É amigo de Fidel Castro, e mantem uma escola de literatura em Cuba. Mas também fez amizade com o ex-presidente americano Bill Clinton.

Em matéria de gosto musical, o Nobel de Literatura chega perto do realismo fantástico. É fã de carteirinha do cantor brasileiro Nelson Ned. Gabo gosta de surpreender e de começar a história pelo fim. O anúncio de que ele parou de escrever poderia ser um trecho do livro-reportagem crônica de “Uma Morte Anunciada”, que também virou filme.

Desde a primeira linha todo mundo sabe que o protagonista está perto do fim. Para gabo nada disso atrapalha a narrativa. O escritor sempre teve uma boa história para contar depois.

Fonte: Jornal da Globo [com vídeo]
Imagem: Internet

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