Moçambique é um pais jovem, que recentemente descobriu a paz depois de longos anos de violência. Mia Couto viu o país nascer, acompanhou de perto as sucessivas guerras e hoje experimenta pela primeira vez a paz. “Moçambique tem trinta e três anos. Eu sou mais velho que o meu próprio pais, uma coisa que não é muito comum. Os meus filhos nasceram na guerra. Havia uma geração inteira de jovens que só sabia o que era guerra. Em 1992 houve paz. De fato foi uma coisa pra mim quase milagrosa. Depois que a paz se tornou uma cultura, nunca mais houve tensões, violência militar e o país vive esse período de estabilidade política e social. Simplesmente se transformou num pais igual aos outros.” Explica o escritor.

Mia resume em poucas frases a curta e agitada história do jovem país.“Em 1975 foi feita a independência contra a dominação portuguesa, Moçambique era uma das cinco colônias portuguesas na África que se tornaram independentes mais ou menos na mesma época, 1975, 1976, logo depois da revolução dos Cravos em Portugal. Tínhamos um movimento de libertação de orientação socialista, marxista, e houve uma revolução. Foram nacionalizadas grandes propriedades, foi introduzida uma orientação revolucionaria, quase todos os colonos portugueses saíram e tivemos um pequeno período sem guerra. Na seqüência começou uma guerra com a Rodésia (hoje Zimbábue), e depois tivemos uma guerra civil que durou 16 anos.” explica.

“A guerra civil era uma guerra trazida de fora, do regime do apartheid na África do Sul e que ganhou força internamente. Essa guerra levou a que houvesse uma mudança política a partir de dentro, portanto o mesmo movimento que fez a independência, que era a Frelimo converteu-se depois no movimento que implantou o capitalismo a partir da morte do líder revolucionário Samora Machel em 1986, o primeiro presidente moçambicano” completa Couto.

Conhecer a África é como conhecer o fundo da alma brasileira. Pelas ruas dos paises africanos nós brasileiros nos entendemos um pouco melhor. Não é por acaso que somos assim. O samba, o candomblé, a culinária e tantos outros pilares basicos da cultura brasileira vieram da África para serem digeridos no caldeirão Brasil e se transformarem em algo novo, diferente, brasileiro e único.

De toda a herança cultural e genética que herdamos da África, talvez o aspecto mais forte seja o da alegria, essa que o brasileiro demonstra até nas condições mais adversas de seu dia-a-dia. Lá e cá, todo mundo dança, todo mundo canta e todo mundo sorri. Não é necessário um motivo para isso, mas se por acaso um negro tiver sido eleito presidente dos EUA na madrugada anterior, não tenha dúvidas de que vão cantar, dançar e sorrir muito mais alto.

trecho de matéria publicada na Trip.

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