O ponto de vista
é seguido de um Apêndice muito importante, constituído por Duas notas sobre “O Indivíduo”. Trata-se de uma categoria eminentemente kierkegaardiana que constitui, para Kierkegaard, a categoria cristã por excelência, a qual designa ao mesmo tempo o Único e cada um de nós. A atualidade destas análises não passará despercebida a ninguém; remetem naturalmente para a noção de Deus pessoal, mas inserem-se igualmente num contexto cultural e histórico. Com Comte, Feuerbach, Marx, um novo conceito surgia: o de Homem genérico; perante ele, a pessoa humana não passava de uma abstração e a generalidade convertia-se naquilo em que cada indivíduo devia dissolver e transformar. Kierkegaard opõe-se a todas as escamoteação da pessoa humana, visando fazer acreditar que a massa encarna a voz de Deus, esta massa que gritou para Pôncio Pilatos: “Crucifica-o!”. Para Kierkegaard, o homem não é um animal precisamente porque o indivíduo é mais do que a espécie. A verdadeira abstração é a Multidão.

Trecho da introdução de
O ponto de vista explicativo da minha obra de escritor
, de Sören Kierkegaard.

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