É importante e útil lembrar que o valor do sofrimento de Jesus repousa não na dor em si mesma (pois, em si mesma, a dor não tem nenhum valor), mas no amor que o inspirou, como Cirilo, de Jerusalém, destacou muitos séculos atrás. Ele escreveu: “Nunca esqueça que aquilo que dá valor a um sacrifício não é a renúncia que exige, mas a qualidade do amor que inspirou a renúncia”. É exatamente assim que devemos nos aproximar do Calvário. A alma humana de Jesus alegrou o coração de seu Pai celestial com a generosidade incontrolável e a obediência inabalável de seu amor.

Felizmente, a cruz não foi a palavra final de Deus a seu povo. Nossa vida cristã contempla, além do Calvário, a ressurreição. É a natureza humana do Cristo ressuscitado, filtrada por inteiro pelo brilho da divindade, que mostra como um espelho reflete tudo aquilo para que somos convocados. O destino de nosso irmão Cristo é o nosso próprio destino. Se sofrermos com ele, com ele seremos glorificados.

O padrão é sempre o mesmo. Todos os caminhos levam ao Calvário. Só alcançamos a vida através da morte; só aprendemos a ternura através da dor; só chegamos à luz através da escuridão; Jonas deve ser sepultado no ventre da baleia; o grão de trigo deve morrer; devemos ser formados à semelhança de Sua morte se queremos nos tornar homens e mulheres da Páscoa.

Brennan Manning em A sabedoria da ternura.

Encerrei a ótima leitura deste livro que esbanja sensibilidade tal que só pode vir de Brennan Manning. Sua perspicácia em tratar de temas como amor, graça, ternura, misericórdia e perdão é fruto de sua intensa experiência e vivência íntima com feridas que saltam de sua escrita à nossa alma. Ele comunica com a autoridade de um médico ferido. Todos os seus livros são altamente recomendáveis. Li primeiro O Evangelho Maltrapilho seguido de O impostor que vive em mim, depois A sabedoria da ternura e agora prossigo com A assinatura de Jesus que acabo de ganhar de presente da minha linda Princesa.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments