Monalisa Ferreira devora as histórias do escritor americano Sidney Sheldon, mas, quando quer conforto para sua vida, se apoia nas Poesias completas do poeta português Fernando Pessoa. Lucélia Silva lê qualquer tipo de romance, mas se emociona mesmo é com os da escritora espírita Zíbia Gasparetto. Já Simone dos Santos prefere biografias e revistas semanais porque gosta de fatos reais.

Além da paixão pela leitura, estas três mulheres têm outra coisa em comum: estão presas. Elas moram atualmente na Penitenciária Feminina do Butantã, na Grande São Paulo, com outras 740 detentas em regime semiaberto. A segunda característica compartilhada por elas é o crime cometido: tráfico de drogas. E, por fim, a última coincidência que envolve suas vidas é o projeto que frequentam na cadeia: o Leitura Ativa.
Chefiado pelos voluntários Wagner Paulo da Silva e Durvalino Peco, o programa funciona há três anos e por ele já passaram quase mil mulheres.

O objetivo é resgatar a cidadania ao desenvolver o senso crítico por meio de leituras, projeção de filmes e músicas. Todas as quintas-feiras, Silva e Peco se reúnem com as detentas na biblioteca da unidade. Vai quem quer, fica quem desejar e participa quem se interessar. Lá, não há notas, nem livro de frequência – o que conta no Leitura Ativa é a liberdade. De expressão.

Entre as estantes de livros e revistas cada uma pode dizer o que pensa sobre os textos apresentados. “Não tem certo e errado, é a opinião delas que interessa”, diz Silva. “Não tem o cunho acadêmico, não temos a intenção de formar ninguém”, explica.

Revoltada com a sua condição de presa, Lucélia passou a aceitar melhor o seu cotidiano atrás das grades depois que começou a participar do grupo. “Aprendi a gostar de mim. Quando a gente é presa é tirada da sociedade como um lixo”, diz ela, que voltou para a escola depois de frequentar o projeto.

A diretora de educação, Cláudia Cândida e Silva, credita ao Projeto Leitura Ativa o aumento da busca pelos estudos formais. “Ao lerem mais, percebem a importância de um diploma”, diz Cláudia. Monalisa passou a sonhar com a faculdade depois que deixar a prisão, no fim deste ano. “Quero fazer psicologia e jornalismo, um desejo antigo.” Monitora da biblioteca de 5.145 exemplares, Monalisa leu metade dos livros do acervo. “A prateleira jurídica é a minha predileta, ali estão meus direitos”, diz ela, que fez sozinha o pedido para o regime semiaberto.

“A atitude delas perante a vida lá fora muda e a convivência aqui dentro melhora”, afirma Gizelda Costa, diretora- geral da penitenciária. É o primeiro passo em direção à liberdade.

fonte: IstoÉ
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já tô aqui sonhando em no futuro a galera do mob doar minibibliotecas p/ penitenciárias e outros lugares… =)

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