“Os salmos são a psicanálise da história e dos fatos.

Quem lê apenas os dois livros dos Reis e os dois de Samuel, textos que descrevem boa parte das tramas que deram origem aos Salmos, confronta-se com homens fortes, corajosos, suados, decididos e guerreiros. Mas quem lê os salmos correspondentes aos fatos descritos naqueles livros históricos percebe como esses mesmos homens – fortes, corajosos, suados, decididos e guerreiros – eram pessoas sujeitas ao medo, à perplexidade, à dúvida, à depressão e ao desânimo.

(…)

Nós sofremos da psicopatologia que nos faz divinizar a história. Por isso os profetas são banalizados enquanto vivos e honrados depois de mortos. Mas quando mortos, eles são elevados a categorias mais excelentes do que as que são cabíveis na descrição da condição humana. Os salmos desmitificam os personagens sagrados, mostram-nos como eles sofreram dos mesmos sentimentos aos queis Elias e Tiago estavam sujeitos: medo, ira, inveja, ciúme, autopiedade, dúvida etc.”

Caio Fábio em No divã de Deus, pela Fonte Editorial

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