Não li O Código da Vinci, de Dan Brown. (E ainda que tivesse lido não admitiria. Mas de fato não li.)

Também não vi o filme, com Tom Hanks.

E não vou ler a sequência de O Código da Vinci, anunciada com grande estardalhaço agora há pouco na Feira de Livros aqui de Londres.

Não sei quanto tempo de vida tenho. (Espero que muito, ou o suficiente.) O que sei é que tenho que escolher com cuidado meus livros. Bestsellers como o de Dan Brown (na foto ao lado) não cabem na minha agenda de leituras. Considero desperdício. Não que eu seja um intelectual. Não, definitivamente não sou. Um simples jornalista. Apenas o tempo é pouco e os livros são muitos.

Uma página que vou ler de Dan Brown é uma que deixarei de ler de Sêneca. Ou Montaigne. Ou Henry Miller. Ou Graham Greene. Não.

Mas.

Mas o fato é 81 milhões de cópias de O Código da Vinci foram vendidas no mundo desde que o livro foi lançado, em 2003.

O que significa que minha opinião é, sei lá, irrelevante.

A sequência sai em 15 de setembro, e se chamará O Símbolo Perdido. Quem gostou de Robert Langdon, o protagonista de O Código da Vinci, terá a chance de reencontrá-lo. A história se passará num intervalo de doze horas, e será ambientada em Washington. A tiragem inicial em língua inglesa: 6,5 milhões de exemplares. Nunca a editora Random House pôs tantas cópias nas livrarias numa primeira edição. (No Brasil, uma primeira edição tem, em geral, 3 000 cópias.)

Dezenas de milhões de pessoas lerão O Símbolo Perdido. Em todas as línguas. E depois verão o filme. Que fatalmente será feito.

Eu não.

Paulo Nogueira, no site da Época.

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