Um menino apaixonado pela palavra, que acabou vivendo da palavra. Assim o contista, romancista e jornalista paulista Ignácio de Loyola Brandão resume sua vida dentro da literatura.

Ontem, após participar do Salão Internacional do Livro que acontece em Foz do Iguaçu, ele esteve em Curitiba, integrando a mesa-redonda A Palavra e a Construção da Linguagem, voltada a professores.

Em 2008, Ignácio foi vencedor do prêmio Jabuti com o livro O menino que vendia palavras. Na obra, inspirada em acontecimentos de sua própria infância, o autor fala sobre a importância dos professores na formação de novos leitores. Segundo ele, os professores são essenciais para que as crianças tomem gosto pela leitura e a tenham como uma atividade prazerosa.

“Hoje, muitos adultos não leem ou mesmo deixam de ler para seus filhos em função da vida moderna. Por isso, na aquisição do hábito da leitura por uma criança, os professores tem papel muito mais importante do que os próprios pais. Literatura é prazer e as crianças devem descobrir isso”, comenta.

Ignácio conta que se recorda de professores que, com dicas e conselhos, tiveram grande influência em sua vida de leitor e carreira de escritor. “Há professores dos quais nunca me esqueço, embora já esteja com 72 anos de idade.”

O escritor diz que entende que, na atualidade, os professores são mal remunerados, muitas vezes passam por humilhações e enfrentam uma série de dificuldades. Porém, afirma que nada disso deve tirar o brilho da profissão.

“Os professores devem ser capazes de olhar nos olhos de uma criança e vê-la por dentro, descobrindo capacidades e fornecendo-lhe recursos para desenvolvê-las. Para despertar o prazer da leitura, os professores devem ler, descobrir livros prazerosos, contar histórias às crianças e levá-las à leitura”, declara.

Na opinião do romancista, as crianças devem começar lendo autores atuais brasileiros, que falem do mundo presente e com a linguagem que elas conhecem. Desta forma, considerada natural, irão desenvolvendo gosto pela leitura e, por si só, se interessando por outros autores e livros clássicos.
“Quando me perguntam que linguagem eu utilizo para escrever para crianças, respondo que é a linguagem que eu utilizo todo dia. Acredito na inteligência da criança e valorizo a importância dos professores”, finaliza.

Fonte: Paraná Online

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