O texto é o lugar de uma experiência singular, privilegiada, de uma recreação da qual cada leitor pode se tornar o centro, por pouco que queira sair dessa passividade em que ele se empobrece, que o isola do texto, cujo sentido lhe escapa sempre em grande parte e necessariamente porque, fixado pelo autor, pertencendo somente ao autor, o leitor não tem parte nele. Que o leitor aprenda que ele não é o espectador deslumbrado ou entediado de uma história feita alhures com a qual ele não tem de ajustar contas. Que ele saiba apenas que o texto lhe fala dele e de sua própria história e, imediatamente, lhe aparecerão sentidos possíveis. O leitor aprenderá que o texto lhe traz em uma linguagem já codificada, que cabe somente a ele decodificar, o sopro noturno de sua vida mais longínqua, sepultada, indizível. Isto é dizer que o texto não tem um sentido fixado, que a variedade do texto está em todo o lugar e em lugar algum, que cada um tem o poder de fazer os sentidos existirem, de decidir os sentidos…

Serge Viderman, Le céleste et le Sublunaire.

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