– Gosto do que imagino. Nem sempre do que contemplo. E por imaginar demasiado, não me canso de ver.

– O instante fica, não o tempo – complementou Nestor, sereno.

– Mais do que o instante, creio no que toco – A experiência de ver não é tão segura como a de sentir.

– As coisas podem não ser as coisas. Tendo outras por dentro – previu Galal.

– E o que está dentro dos olhos nem sempre está dentro do coração – disse Cordélia. – E o coração não de deita.

– Os caminhos são velhos quando não têm volta – Galal asseverou. – E o coração não senta no caminho. Inventa outro

Carlos Nejar, em O Livro do Peregrino (Objetiva).

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