“Muitos poucos livros exigidos nos diversos cursos são impressos para cegos e sou forçada a tê-los soletrados em minha mão. Conseqüentemente, preciso de mais tempo para preparar minhas lições do que outras moças. A parte manual leva mais tempo e tenho perplexidades que elas não têm. Há dias em que a grande atenção que preciso dar aos detalhes abrasa meu espírito, e a idéia de que preciso passar horas lendo uns poucos capítulo, enquanto no mundo lá fora as outras moças estão rindo, cantando e dançando, me deixa revoltada; mas logo recupero minha resistência e expulso o desagrado do meu coração com risos. Porque, afinal, todo mundo que deseja obter verdadeiro conhecimento precisa escalar a Colina da Dificuldade sozinho, e já que não há nenhuma estrada fácil para o cume, preciso ziguezaguear ao meu próprio modo. Escorrego e recuo muitas vezes, caio, fico parada, corro à beira de obstáculos escondidos, perco a paciência, encontro o caminho de novo e o conservo melhor; ando com dificuldade para a frente, avanço, subo mais alto e começo a ver o horizonte amplo. Cada luta é uma vitória. Mais um esforço e eu alcanço a nuvem luminosa, as profundezas azuis do céu, as regiões elevadas do meu desejo. Mas nem sempre estou sozinha nessas lutas. O sr. William Wade e o sr. E.E.Allen, direto da Instituição Pensilvânia para a Instrução dos Cegos, conseguem-me muitos livros que preciso em relevo. A atenção tem sido de uma tal ajuda e incentivo para mim que jamais poderão ter noção dela algum dia.”

Helen Keller em A história da minha vida, capítulo XX páginas 94-95, José Olympio Editora, Rio de Janeiro: 2003.
Helen Keller nasceu em 1880 e faleceu em 1968. Surda e cega, Helen formou-se em Filosofia no Radcliffe College. Em sua autobiografia faz referência, com freqüência, a obra Bíblica e seu valor inestimável para sua vida. A sua descrição de um campo onde passou férias é impressionante. Aprendeu a falar. Tinha conhecimento de línguas estrangeiras, como Francês, Alemão e Latim. Foi escritora, jornalista e conferencista. Recebeu, desde cedo, o apoio necessário de uma professora, Anne Sullivan, que dedicou a Helen a sua vida, para que ela pudesse nos mostrar que não há obstáculos que não possam ser rompidos.

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