Existem livrarias e livrarias. Vou dar um exemplo. Existe aquela livraria que tem de tudo o que você procura, mas o vendedor não é capaz de digitar ou pronunciar corretamente o nome de um autor. O atendimento é bom, mas carece de um pouco mais de conhecimento por parte dos vendedores. A razão é simples: os vendedores destas lojas, via de regra, não são leitores. Tenho encontrado muitos vendedores assim em Saraiva’s e Siciliano’s da vida. Em contrapartida, existem livrarias, com acervos grandes e variados, onde os vendedores sabem o que estão vendendo, mesmo não gostando de um ou outro autor, sabem distinguir um texto bem escrito, tem espírito crítico. Influenciam positivamente na sua compra, opinam, e ao opinar, mostram que conseguem vender bem por saber o que vendem. Estes são mais raros de encontrar, eu só conheço duas livrarias em São Paulo/SP onde existem pessoas assim: Livraria Cultura e Livraria Martins Fontes. Não, não fiz nenhuma pesquisa de campo, eu já comprei em todas as livrarias que cito e, mesmo não sendo um especialista em vendas, sou um freguês exigente.

O que o leitor ganha com vendedores-leitores nas livrarias, em uma época onde podemos comprar livros pela internet? O prazer de trocar ideias com uma pessoa que lê e, por isso, tem espírito crítico e sabe identificar o que você gosta de ler e indicar autores desconhecidos e, assim, vender mais.

Interessante como as grandes redes de livrarias não se interessam por esse tipo de profissional. Por que? Não sei, vou blefar: ou porque o salário desse profisional deve ser maior, ou porque teriam que pagar mais comissão, ou ainda porque não estão interessados no leitor, só no cliente.

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