No mundo das aparências ser é menos sedutor do que estar. Estar é viver cercado de acólitos, seguidores, aplaudidores, justificadores, beneficiários, companheiros. Ser é solitário.

Eu venho do tempo dos que estão. Dos que desistiram de ser para estar. Todos com o melhor dos propósitos e as mais elevadas teorias de solidariedade humana, mas muitos estando e poucos sendo. O tempo de quem desistiu de ser para estar gerou guerras, destruições, deixando como herança, apenas e tão-somente, uma profunda vontade de Ser: porque a gente é sempre mais do que a posição em que se está.

Eu mudo sempre. Por isso sou ALGUÉM QUE JÁ NÃO FUI. Alguém que pretende estar apenas e até onde conseguir ser. Pouco. Mas todo.

Artur da Távola, em Alguém que já não fui (PLG/Salamandra)

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