Faz tempo que eu não lia um livro em tão pouco tempo. Tá certo, não sou dos leitores mais ágeis, mas me explico: em geral gosto de me ater e entreter em cada palavra, nas frases, leio como se degustasse e não como se engolisse. Mas isso é opção, às vezes invejo amigos que devoram obras em dois ou três dias.

Pois li “O menino do pijama listrado” em uma semana exata. Para mim, feito raro. Mas li do meu jeito, degustando. E vale cada letra. John Boyne escreveu um romance curto, simples, sensível e muito profundo.

A história acontece no período da segunda grande guerra e tudo começa quando o pai de Bruno, um garoto de oito anos, é promovido a comandante do exército alemão e transferido para um campo de concentração. Ao contrário da agitada Berlim onde vivia, Bruno passa a descobrir o monótono ambiente da nova residência e se vê intrigado a pensar em quem são, afinal de contas, aquelas pessoas de pijamas listrados que vivem do outro lado da cerca.

Bruno acenou e saiu cabisbaixo, sabendo que “certas pessoas” era uma expressão que os adultos usavam para “pai”, e que ele próprio não podia usar.

Ele foi vagarosamente até as escadas, segurando o corrimão com uma das mãos, e se perguntou se a casa nova, onde seria o novo trabalho, tinha um corrimão tão bom de escorregar quanto aquela. Pois o corrimão daquela casa vinha desde o andar mais alto – começava do lado de fora do pequeno quarto onde, se ele ficasse na ponta dos pés e segurasse firme no parapeito da janela, era possível ver até o outro lado de Berlim – até o piso térreo, bem diante das duas enormes portas de carvalho. E o que Bruno mais gostava de fazer era subir a bordo do corrimão no andar de cima e escorregar pela casa toda, fazendo barulho de vento ao longo do caminho.

Descia do andar de cima até o próximo, onde estavam o quarto do pai e da mãe e o grande banheiro, e onde ele não deveria ficar de maneira nenhuma.

Descia até o próximo andar, onde ficavam o seu próprio quarto e o de Gretel e o banheiro menor, que ele deveria utilizar com freqüência maior do que de fato fazia.

Descia até o térreo, onde caía do final do corrimão e tinha de aterrissar equilibrado nos dois pés, ou então perdia cinco pontos e tinha de começar tudo outra vez.

Leia o primeiro capítulo no site da VEJA.

John Boyne, “O menino do pijama listrado”, Companhia das Letras, 2007

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