Enquanto Kindle não conquista o Brasil, Internet muda nossos hábitos de compra, venda, troca e download de livros na rede

Se é verdade que o Kindle promete mudar a forma com que nos relacionamos com os textos em formato digital, também é verdade que a Internet há tempos mudou nossa relação com os livros. Compra, venda, troca e downloads já fazem parte da rotina dos bibliófilos.

Segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), foram mais de 310 milhões de livros vendidos no Brasil em 2007. E uma fatia crescente envolve transações pela Internet. “A Internet já responde por cerca de 15% das vendas de livros da Fnac no Brasil”, explica Benjamin Dubost, diretor comercial da rede Fnac no Brasil.

Além da facilidade de pesquisa e compra, os sites atraem leitores também com descontos e promoções. Na Fnac, por exemplo, os lançamentos têm 20% de desconto sobre o preço mínimo recomendado pela editora. Em outras redes, como Saraiva, Submarino e Americanas, vale prestar atenção nas ofertas que chegam por e-mail. Ontem, livros de Harry Potter lançados por R$ 59,50 foram anunciados por R$ 9,90 no Submarino.

O mercado de usados, que não aparece nas pesquisas da CBL, também foi afetado. Para os sebos, trabalho em rede é uma grande jogada. Como mostra o site Estante Virtual ( www.estantevirtual.com.br ), que reúne um acervo de mais de 20 milhões de livros em 1.425 sebos espalhados por 247 cidades do Brasil. Com uma ferramenta de busca unificada, a procura por livros usados fica muito mais fácil.

O site permite buscas por estante (assunto), autor, editora, cidade e sebo. E também oferece buscas por faixa de preço. Como em sites de leilão, os vendedores são avaliados pelos compradores, uma forma de medir a satisfação dos leitores e endossar a credibilidade dos vendedores participantes.

A Estante Virtual conta ainda com um sistema de créditos em que um livro usado vale desconto na compra de outro.

Se apesar dessas ferramentas o internauta não encontrar o que procura ou não tiver paciência para o trabalho de garimpo, uma saída e apelar para sites como o Livros Difíceis ( www.livrosdificeis.com.br ). Não se trata de um sebo de raridades. A equipe do site busca os livros em leilões, coleções particulares e pela Internet, atendendo a pedidos. Se o livro é localizado, o internauta é avisado sobre o preço e tem 15 dias para efetuar o depósito.

Quem quiser livros em formato digital pode tentar a sorte no Google Livros ( http://books.google.com.br ) e no Gutemberg Project ( http://www.gutenberg.org/wiki/PT_Principal ). Há livros em português, mas são minoria.

Como trocar livros

Há sites que promovem a troca de livros. Como o Livra Livros ( www.livralivros.com.br ), criado por Samur Araújo, 31 anos, mestre em Web Semântica pela PUC Rio. “Precisava trocar meus próprios livros”, lembra.

No site, o internauta e informa o livro do qual quer se desfazer e indica qual deseja receber. Ao aceitar uma proposta, o dono do livro o envia pelos Correios. A troca pode envolver mais de dois usuários. Apesar de não garantir a entrega, o Livra Livros promove a avaliação dos participantes, num sistema de credibilidade. O site tem cerca de 2 mil cadastrados e começou a promover a doação de livros para bibliotecas públicas.

Também movido pela necessidade de trocar livros, o analista de sistemas Arley Lobato, 27 anos, criou o Trocando Livros ( www.trocandolivros.com.br ), que está no ar desde novembro e, segundo Lobato, tem cerca de 15 mil cadastrados e 20 mil livros. Funciona com base em créditos. O usuário cadastra os livros que oferece para troca. Se algum for pedido, o dono deve enviá-lo pelos Correios em 5 dias. Feita a troca, quem enviou recebe um crédito.

O dono do crédito pode então navegar pelo acervo. Se pedir um livro, ele passa o crédito adiante. “O crédito não expira nunca e funciona como garantia. Se o livro não for enviado ou se extraviar, o crédito é devolvido”, explica Lobato. Pode-se comprar um crédito por R$ 14,90.

Fonte: O Dia

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