“Dizem os poemas sagrados que o Criador, depois de terminada a sua obra, parou e, com os olhos extasiados, disse:
“Que lindo…”
É por isso que, às vezes, eu sinto uma terrível tristeza, uma vontade de não partir. Queria ser como a Fênix, ressurgir sempre das cinzas. Que não me consolem com promessas de imortalidade da alma. Sou um ser deste mundo. Meu corpo precisa dos cheiros, das cores, dos gostos, dos sons, das carícias…Poderia, por acaso, haver um caqui espiritual, ou um mar que não fosse água? Lembro-me da Cecília Meireles:”Pergunto se este mundo existe, e se, depois que se navega, a algum lugar enfim se chega…O que será, talvez, mais triste. Nem barca, nem gaivota: somente sobre-humanas campanhias…” Não, não quero partir.”

Rubem Alves, em Tempus Fugit (Paulus).

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments