“É irônico, portanto que o pai considerasse sua incapacidade de obrigar todos os filhos a compartilhar de sua fé como seu supremo fracasso. Nós no comportávamos exemplarmente; éramos piedosos. Mas não tínhamos fé. Até mesmo algumas de suas filhas, depois de adultas, perderam a fé. Embora, ao contrário de nós, meninos, não cressem que deviam lhe contar isso. Talvez por serem mulheres e acreditarem mais do que nós, os homens, na utilidade do segredo e do decoro, talvez porque fossem mais gentis do que nós – fora o fato de que, para todos nós, era como se a própria luz de nosso pai resplaneesse com tamanha intensidade que eclipsava o sol que o iluminava. Assim, nos parecia que esse sol brilhava apenas sobre ele. E como recebíamos dele apenas a luz refletida, como a luz do sol é refletida pela lua, nem sempre éramos aquecidos por ela, mas ela apenas nos iluminava.”

Russel Banks em O divisor de nuvens.

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