“Montaigne queixava-se a toda hora (queixava-se ou gabava-se) da sua falta de memória. Quanto a mim, acho isso uma ótima vantagem, por motivos óbvios. E, ao reler um livro, espanta-me e diverte-me o que relembro na hora, às vezes uma simples frase, um gesto, um acidente mínimo.
Mas por que exatamente essas e não outras coisas?
Seria o caso de fazer uma auto-análise, pesquisando a natureza dessas fixações. E, como além da desmemória, a minha outra qualidade é a preguiça, deixo aqui a sugestão aos especialistas.
E continuarei sempre a ler, com a alegria de um descobrimento, o velho Machado, Tchekov, Dostoiévski e outros rapazes eternamente jovens.”

Mário Quintana, Porta Giratória, Ed. Globo

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