A escritora, que também é veterinária, tem dois livros cadastrados no site Bookess Foto:Jessé Giotti

Criado no ano passado, o site Bookess se tornou uma livraria, editora e biblioteca virtual. E com o detalhe que faz a alegria dos internautas: tudo gratuito. Os livros que estão disponíveis no site são de domínio público ou de novos autores, que usam o Bookess para escoar suas obras, sem custo nenhum. Uma das autoras mais lidas do site é Emília Kesheh. A escritora de 23 anos nasceu no Irã, mas desde os dois anos mora em Joinville.

A própria biografia de Emília parece ter saído das páginas de um romance. Quando ela tinha apenas 40 dias de vida, sua família fugiu do Irã. Adepta do bahaísmo, religião condenada pela maioria muçulmana, a família escapou de uma perseguição que resultou em um massacre de 200 mil bahá’is. Eles moraram dois anos no Paquistão, até que a ONU encaminhou Emília e os pais para o Brasil.

Três famílias bahá’is foram assentadas em Joinville, em 1988, entre elas a de Emília.

— Viemos para cá porque a comunidade bahá’i no Brasil decidiu que seria um bom destino o Sul do País. Ganhamos então o terreno onde está nossa casa — conta a escritora, que se formou em veterinária no ano passado.

Emília trabalha de manhã em uma clínica veterinária e durante a tarde escreve. Seus primeiros contos e poemas foram feitos quando ela tinha apenas 12 anos. No “Bookess”, ela tem dois livros cadastrados: “ Os Bárbaros” e “Vampiros e Lobisomens”. As duas coletâneas de contos são resultados da dieta literária de Emília: literatura fantástica e de terror.

— Amo a saga ‘Senhor dos Anéis’, do Tolkien, e os romances de vampiro da Anne Rice — diz.

Em fevereiro deste ano, Emília venceu as fronteiras virtuais e publicou seu primeiro livro à moda antiga. Com o dinheiro que conseguiu juntar de seus primeiros salários como veterinária, ela editou por conta própria 50 exemplares do romance medieval “A Última Aliança”. Com recursos do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec), ela levará ao prelo uma nova edição do livro, desta vez com uma tiragem de mil exemplares. Os livros virtuais de Emilia no “Bookess” lhe renderam milhares de leitores — um número bem superior que as pessoas que leram seu livro “físico”. Mas para autora, nada se compara à emoção de ter segurado pela primeira vez nas mãos seu livro publicado.

— O livro de papel satisfaz muito mais. E ele dá credibilidade. Quando os leitores do Bookess sabem que já publiquei um livro, eles se interessam mais — afirma Emília.

Mesmo com o apreço pela literatura impressa, ele está animada com a janela que sites como o Bookess proporcionam para os jovens autores.

— Nós podemos escolher a capa, interagir com os leitores e encontrar outras obras de qualidade. Infelizmente, quem lê as obras no Bookess são basicamente as mesmas pessoas que também escrevem. Mas é bom saber que tem tanta gente nova interessada em ser escritor — comemora. O livro “Os Bárbaros” pode ser lido na íntegra em http://www.bookess.com/.

Fonte: A Notícia

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