Restituir sonhos é uma pretensão que carrego comigo. Ela nutre o meu desejo de ser casto, de ser do outro, não como objeto a ser usado, mas como um sentido a ser proposto. Carrego em mim um ofício que reconheço santo. Estabelecer as pontas da corda. Ser homem religioso, no mais profundo do termo. Viver para unir, para religar, congregar, para restaurar o que está danificado. Nestes tempos líquidos, ousar ser um lugar de segurança. Por meio de um gesto solidário, uma palavra bendita, uma celebração restauradora.

Fábio de Melo, em Cartas entre amigos: sobre medos contemporâneos (livro em parceria com Gabriel Chalita, publicado pela Ediouro)

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