Os alardes sobre o fim do livro têm suscitado vários debates. A maioria deles, no entanto, baseia-se em discursos equivocados, pois ignoram a evolução dos suportes de informação. Desde a pré-história, os homens registram o seu conhecimento, o homem primitivo esculpia símbolos em rochas, o homem antigo, por sua vez, começou utilizando tabletes de argila e evoluiu para o pergaminho (pele de animas) e papiro (o precursor do papel atual).

A invenção da imprensa por Gutenberg, no fim do século 15, e a possibilidade de imprimir documentos em larga escala, foi o prenúncio do que na contemporaneidade chamamos de “explosão bibliográfica”. Após a II Guerra Mundial, uma nova ferramenta que modificaria para sempre as rotinas de gestão documental surgiu: o computador. Com o advento das tecnologias de informação e comunicação, questionamentos sobre os suportes de informação surgiram: quais os suportes mais adequados para o armazenamento de informações? As bibliotecas e os livros vão acabar? Os livros vão virar objetos de museus?

O surpreendente dos debates com intelectuais que estão falando sobre o tema é a falta de objetividade dos discursos.

Os que afirmam a permanência do livro dizem:

– Não podemos viver sem o cheiro do livro!

– É bom dormir abraçado com o seu livro favorito!

– É muito mais prático carregar um livro do que um computador! (ignorando os livros eletrônicos, os quais já cabem no bolso).

Os que acreditam no fim do livro profetizam:

– A humanidade optará pelo livro eletrônico em função da consciência ecológica!

– As pessoas acessarão tudo pela internet e não precisarão mais de bibliotecas!

O que falta a alguns “profetas” é conhecimento biblioteconômico.

Primeiro: O livro é só um suporte de informação, como o foram os tabletes de argila. O que vale é a informação que ele contém. Sendo assim, enquanto objeto, ele pode sim virar artigo de museu.

Segundo: Os atuais suportes digitais de informação ainda não podem substituir o livro em papel por uma série de fatores como obsolescência, confiabilidade, autenticidade e longevidade desses suportes.

Terceiro: as bibliotecas nunca vão acabar, pois não prestam “serviços de livros” e sim “serviços de informação”, estejam essas informações em qualquer tipo de suporte. Por fim, para aqueles que amam o suporte livro, seu cheiro, manuseio, seu custo-benefício, fiquem tranquilos: estudos indicam que eles perdurarão. Certamente, nossa terceira geração ainda circulará abraçada neles. Mas não se iludam: a história prova que todos os suportes tiveram seu tempo, uns suplantando os outros. Por que com o livro seria diferente?

Magali Lippert da Silva é bibliotecária

Fonte: Zero Hora

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments