“O julgamento pode evaporar, como já vimos, depois de uma explicação franca, em um retiro ou em um impulso de amor, mas ele logo reaparece. São instantes fugitivos que aparecem com sinais de graça. Mas os estados de graça não duram. […] A graça não pode ser armazenada; nós só temos vislumbres dela, como diz Paulo em um texto onde ele evoca a estranha mistura de abundância e de pobreza, de vida e morte, do eterno e do passageiro, que caracteriza nossa condição humana (2 Co 4: 5-7). Mas esses momentos têm sabor suficiente para nos fazer entrever o vedadeiro relacionamento humano e nos fazer desejá-lo ardentemente.”

“Não há, pois, diante de Jesus duas categorias humanas, os culpados e os justos; só há culpados…”

“Observem esta reversão. Deus prefere os pobres, os fracos, os desprezados. O que os religiosos têm mais dificuldade ainda de admitir é que ele prefere os pecadores aos justos. Isto se explica precisamente por este ponto de vista bíblico que a psicologia moderna confirma: que todos os homens são igualmente carregados de culpa. Os que chamamos justos não estão isentos dela, mas a reprimiram; os que chamamos de pecadores estão conscientes da sua culpa e, por isso mesmo, mais preparados para receber o perdão e a graça.”

Paul Tournier – Culpa e Graça.

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