Eu ouvi essa voz. Dirigiu-se a mim no passado e continua a falar agora. É a voz do amor que é eterno, perdura para sempre e se transforma em afeto quando ouvida.

Quando a ouço, sei que estou em casa com Deus e nada tenho a temer. Como o Filho Amado de meu Pai celestial, “ainda que eu caminhe por um vale tenebroso, nenhum mal temerei.”¹ Como o Bem-amado, posso “curar os enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios.”

Tendo recebido sem “qualquer ônus”, posso fazer “um dom gratuito”². Como Filho Amado, posso interpelar, consolar, admoestar e encorajar se medo de ser rejeitado ou necessidade de afirmação.

Como o Amado, posso sofrer perseguição sem desejo de vingança, e receber cumprimentos sem precisar utilizá-los como prova de minha bondade. Como o Amado, posso ser torturado e morto sem duvidar que o amor que me é transmitido é mais forte do que a morte. Como o Amado, sou livre para viver e dar a vida, livre também para morrer enquanto a estou dando.

Notas:
¹_ Sl 23.4
²_ Mt 10.8


Henri Nouwen, em ‘A volta do filho pródigo’, pg. 43, editora Paulinas.[via blog Amando ao próximo]

Esse livro é uma reflexão minuciosa de uma das mais belas e intrigantes Parábolas de Jesus Cristo. Nowen disseca cada personagem e vai fundo de forma a nos tocar com tamanha empatia que não há como não nos vermos ora no filho esbanjador e fujão, ora no recluso filho mais velho e… também, ora no pai amoroso! Excelente!

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments