In Principio ert Verbum. Pense no Gênesis. Pense em como era antes de o mundo ser criado. Não havia nada. Diz a Bíblia: “Era a terra sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo”. E era escuro, e não havia nada. Não havia montanhas, nenhuma árvore, nenhum rio. Não havia nada. Mas havia trevas por tudo ao redor, e nas trevas algo aconteceu. Algo aconteceu! Houve um único som. Nada o produziu, mas lá estava ele. E não havia ninguém para ouvi-lo, mas lá estava ele. Surgiu nas trevas, pequeno e baixo, em si mesmo algo diminuto – como um único sopro, como vento surgindo. Sim, como o sussurro do vento surgindo lentamente e se apagando no começo da manhã. Mas não havia vento algum. Havia apenas um som, mínimo e suave. Em si mesmo era algo diminuto, apenas a menor semente de som – mas tomou conta das trevas, e houve luz. Tomou conta da quietude, e houve movimento para sempre. Tomou conta do silêncio, e houve som. Era em si mesmo algo diminuto, um único som, uma palavra – uma palavra que se desprendera do centro mais escuro da noite e fora solta no terrível vazio, para sempre, para todo o sempre. E era em si mesma algo diminuto. Mal aconteceu, mas aconteceu, e tudo começou.

(J. B. B. Tosamah em trecho de sermão citado por Diane Glancy em “Perspectivas da narrativa escrita”, capítulo do livro “Muito mais que palavras” de Philip Yancey e James Calvin Schaap)

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