Tive fome é uma coletânea de artigos que procuram trazer a reflexão acerca da questão da fome no Brasil e lançar luz sobre a atuação, ou a falta dela, da Igreja brasileira para solucionar a questão.

Em seus primeiros capítulo, o texto procura mostrar ao leitor que fome não se resume apenas à falta de alimento, mas inclui a falta de condições de higiene, de educação, de políticas públicas de saúde, entre outros. Procura abordar a importância de se implementar políticas públicas de alimentação, alinhando estas políticas públicas com a atuação das igrejas evangélicas na implementação e desenvolvimento de trabalhos para minimizar os efeitos da fome no país. Há um grande teor político na questão da aceitação por parte das Igrejas do programa Fome Zero do Governo Federal. Há também uma busca por atualizar a agenda de combate à fome, acrescentando, por exemplo, a fome de paz.

Em seus capítulos relacionados diretamente ao manifesto Tive Fome, os articulistas procuram demonstrar o quanto a Igreja Evangélica esteve e está distante da realidade que a cerca. A herança medieval e também puritana de que o homem está de passagem no mundo e os problemas dele não lhe dizem respeito é um dos fatores que contribuem para a falta de atuação nas questões sociais por parte da Igreja. Um exemplo disto é a herança na prática do culto nas Igrejas, onde cânticos remetem a importância de uma vida em comunhão com Deus e em desapego à realidade ao redor. O modelo para quebrar este paradigma é o próprio senhor da Igreja, Jesus Cristo, que não apenas denuncio os males de sua sociedade mas mostrou aos discípulos como agir diante deles para restaurar o ser humano de maneira integral. Amou a cada pessoa de maneira especial, vivendo este amor ao curar, libertar e ensinar as pessoas, independente se seus seguidores ou não, se judeu ou não judeu, Jesus não fez distinção. Não podemos nos negar a fazer o bem a quem quer que seja, não com intuito de conquistar pessoas pela barganha, mas sim pelo testemunho.

O testemunho da Igreja também se dá pela proclamação em um mundo caído, ou seja, permeado pelas injustiças causadas pelo próprio ser humano. Quando o cristão decide viver os valores do Evangelho enfrenta oposição daqueles que, pela mentira, procuram desviá-lo de sua missão. A confiança na soberania de Deus deve nortear a esperança do cristão em meio às adversidades. Enfrentar as adversidades é preço de quem decide caminhar na luta pela implantação do Reino de Deus. Denunciar as perseguições e combater os métodos usado pelos que nos perseguem é a forma como o cristão vive o Evangelho. A maneira mais eficaz de atuar neste mundo é zelar pela pureza e integridade de sua vida cristã.

O cumprimento da missão do cristão passa pela compreensão de dois valores importantes: a encarnação e a unidade. No primeiro, precisamos compreender a importância de se caminhar vivendo a realidade do povo, conhecendo a fundo, ou seja, encarnando-se na realidade do faminto. Isto requer do cristão humildade, e em muitos casos esbarra na questão econômica e intelectual, dois grandes obstáculos que deveriam ser meios de bênçãos acabam distanciando o cristão de seu objetivo. O segundo valor, a unidade, nos chama a compreender a importância da comunhão com o Corpo de Cristo. Isto implica em criar pontes entre cristãos que servirão de suporte apoio na jornada da luta pelo fim da fome no país. Não pode haver barreiras para comunhão entre os que professam a mesma fé. Para viver estes valores, é preciso compreender que é necessário trabalhar em amor e auto-sacrifício, para caminharmos com o povo.

• Tive fome: um desafio a servir a Deus no mundo. Diversos autores. ABU editora. (87p.)

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