“Uma análise da natureza absoluta da fé revela os seguintes elementos nela: o primeiro é a experiência da potência de ser, que está presente mesmo em face da mais radical manifestação de não-ser. (…) O segundo elemento na fé absoluta é a dependência da experiência de insignificação em relação à experiência de significação. (…) Há um terceiro elemento na fé absoluta, a aceitação de ser aceito. (…) Aceitar este poder de aceitação conscientemente é a repsosta religiosa da fé absoluta, de uma fé que tinha sido privada, pela dúvida, de qualquer conteúdo concreto, que apesar disso é a fé e a fonte da mais paradoxal manifestação da coragem de ser. (…)

A experiência mística parece estar mais próxima da fé absoluta, mas não está. A fé absoluta inclui um elemento de ceticismo que não pode achar na experiência mística. (…) A experiência da insignificação é mais radical do que o misticismo. A fé absoluta também transcende o encontro divino-humano. (…) Os teólogos que falam tão ardentemente, e com tal autocerteza, sobre o encontro divino-humano deviam ter consciência de uma situação como religiosamente válida tem, contudo, a consequencia de que o conteúdoconcreto da fé ordinária deve estar sujeito à crítica e transformação. A coragem de ser em sua forma radical é uma chave para uma idéia de Deus que transcende a ambos, misticismo e encontro de pessoa-para-pessoa.”

Paul Tillich em A Coragem de Ser da Ed. Paz e Terra

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