Se o U2 freqüentasse uma igreja nos Estados Unidos ou a 100 quilômetros ao norte de Dublin [uma região predominantemente protestante], na Irlanda do Norte, seria fácil ter sido sugado por uma subcultura cristã. Muitas bandas em situação semelhante são desencorajadas a tocar em espaços seculares, como bares ou clubes, porque cristãos não deveriam estar em lugares assim. A teoria é a de que você não deveria levar Jesus em lugares freqüentemente chamados de “antros de iniqüidade”. A única razão aceitável para freqüentar estes lugares seria a de ir para evangelizar os perdidos que vão ali.

Como conseqüência desta mentalidade, muitos músicos talentosos são introduzidos no cenário gospel, indo de igreja em igreja,cantando canções previsíveis, de conteúdo limitado. A platéia, que é quase que exclusivamente composta por cristãos e que em sua maioria já aceitou as crenças pregadas do palco, acaba não tirando proveito dos clichês. Uma indústria cristã segura, de gueto, é criada com pop stars e gravadoras. Há uma revista, a “Contemporary Christian Music – CCM”, que se tornou o selo de toda a indústria – uma indústria sempre exposta ao risco de acabar se tornando culturalmente irrelevante. Quando Jesus disse a seus discípulos que eles eram a luz do mundo (Mateus 5.14), como queria que eles brilhassem? Como raios de luz que fazem a luz brilhar cegamente sobre si mesma, ou como fachos de luz de vidas alternativas e radicais que cruzam a escuridão? Você culpa a escuridão por ser escura, ou a luz por não brilhar?

(Walk On – A jornada espiritual do U2, de Steve Stockman)

Steve Stockman é ministro presbiteriano na Irlanda, onde trabalha na capelania de Queen’s University, em Belfast. Conferencista, possui um programa de rádio na BBC Radio Ulster. Tem utilizado o trabalho da banda U2 em seus semões e palestras por mais de 20 anos.

(Trecho originalmente publicado em http://waltercruz.com/log/contracultura-ou-subcultura, em 29 de janeiro de 2007)

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