Continuei a encontrar com Stevie Wonder, e em um de nossos encontros em seu novo estúdio de gravação em Los Angeles, em 1982, ele lamentou como as coisas estavam no mundo dos instrumentos musicais. Por um lado, havia o mundo dos instrumentos acústicos, como o piano, violino e violão, que forneciam os ricos e complexos sons de escolha da maioria dos músicos. Embora satisfatórios musicalmente, esses instrumentos sofriam de uma série de limitações. A maioria dos músicos só podia tocar um ou dois instrumentos diferentes. Mesmo que você pudesse tocar mais de um, não conseguiria tocar mais de um de cada vez. A maioria dos instrumentos só produz uma nota por vez. Os meios disponíveis para formar os sons eram muito limitados.

Por outro lado, existia o mundo dos instrumentos eletrônicos, no qual essas limitações de controle desapareciam. No mundo computadorizado, você podia gravar uma linha de música em um seqüenciador, tocá-la novamente, e gravar outra seqüencia por cima dela, construindo uma composição multiinstrumental linha por linha. Você poderia colocar vários sons em camadas, modificar suas características sônicas, tocar canções em tempo não real e utilizar uma grande variedade de outras técnicas. Só havia um problema. Os sons com os quais você tinha de trabalhar no mundo eletrônico soavam muito finos, meio que como um órgão, ou um órgão processado eletrônicamente.
Não seria ótimo, Stevie devaneou, se pudéssemos utilizar os métodos extraordinariamente flexíveis de controle por computador nos belos sons dos instrumentos acústicos? Pensei a respeito, e parecia viável de fazer; por isso, aquele encontro acabou constituindo a fundação da Kurzweil Music Systems, e definiu sua razão de ser.
Com Stevie Wonder como nosso acessor musical, começamos a combinar esses dois mundos da música. Em junho de 1983, fizemos uma demonstração de um protótipo de engenharia do Kurzweil 250 (K250) e o introduzimos comercialmente em 1984. O K250 é considerado o primeiro instrumento musical eletrônico a emular com sucesso a complexa resposta sonora de um piano forte e de praticamente todos os outros instrumentos de uma orquestra.
Ray Kurzweil, em A era das máquinas espirituais

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