“Os discernimentos da fé são gerais, vagos e precisam ser conceituados para que possam ser comunicados à mente, integrados e compatibilizados. Sem a razão, a fé fica cega. Sem a razão, não saberemos usar os discernimentos da fé nos assuntos concretos da existência. A adoração da razão é arrogância, e denuncia uma privação de inteligência. A rejeição da razão é covardia, e denuncia a ausência da fé.

O pensamento, a crença e o sentimento religiosos estão entre as mais enganosas atividades do espírito humano. Afirmamos, frequentemente, que é em Deus que acreditamos, mas, na realidade, pode ser que acreditemos num símbolo de nossos interesses pessoais, no qual insistimos. Podemos admitir que nos sentimos atraídos por Deus, mas, na verdade, pode ser que o verdadeiro objeto de nossa adoração seja outro poder qualquer desse mundo.

Ofuscados pelas brilhantes conquistas do intelecto na ciência e na tecnologia, estamos convencidos não apenas de que somos os senhores do universo; estamos convencidos de que nossas necessidades e benefícios são o padrão definitivo do que é certo e do que é errado.”

Abraham Joshua Heschel, em Deus em Busca do Homem (ARX).

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