Resolvi copiar a ideia de uma pessoa e arranjei meus livros pela cor. Sei que soa heresia para a maioria das pessoas, já que é muito mais fácil achar um título quando ordenado por assunto, mas o efeito degradé ficou interessante. Mais inusitados foram os encontros fortuitos.

Clarice foi escorada por Drummond, como lhe convém. Já Cuba, uma Nova História acabou ladeado por Marketing, uma Ferramenta para o Desenvolvimento. Algo ali não se encaixa, exceto pelo laranjinha da lombada.

O despudorado Philip Roth calhou ao lado do comportado O Livro de Paulo (o apóstolo), e Em Busca da Alma Feminina (recomendo a todas as mulheres que ainda não se deram conta de quanto são lindas).

Se, antes, Shakespeare era uma massa compacta, hoje está espalhado. Alguns entraram no grupo da lombada preta, devido aos pititinhos livros de bolso, enquanto outros foram parar no bloco discreto e branco. Alíás, se você pensou que este último tomaria a metade da prateleira, errou. Toma apenas um quarto. Faça o teste em sua biblioteca, deve dar no mesmo.

Reparei que, entre os livros mais novos, recém-editados, muitos têm lombada amarelo gema. Seria a nova tendência da literatura nacional?

Livros aos quais nunca sonhei dar destaque foram parar no centro da prateleira. É o caso de El Lenguaje y el Entendimiento, de Noam Chomsky, comprado em Buenos Aires em 1997 e, até ontem, relegado à categoria “ainda não li”. Agora está na categoria “marrom”.

Teve até quem fosse resgatado da masmorra – a prateleira da garagem – só pela lombada verde linda, como O Brasil que deu Certo – A Saga da Soja Brasileira.

Outra coisa: alguns livros loucos combinam com sua lombada pink ou roxa, como Do Amor e Outros Demônios, de Gabriel García Márquez. E assim vai.

Além da experiência estética que deixou minha estante como um pedacinho do arco-íris, percebi que talvez seja hora de parar de ir às compras e ler mais. Mas antes preciso aumentar o bloquinho dos azuis.

fonte: Gazeta do Povo
dica do Chicco Sal

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