O ciberespaço está repleto de estantes virtuais. Basta chegar no site certo, escolher a obra, baixar o arquivo para começar a ler. E o melhor de tudo: de graça

No final do ano passado a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, disponibilizou para download gratuito todos os 186 títulos da Coleção Aplauso. Uma estratégia que reflete os novos hábitos de leitura de quem já gostava de ler – é pouco provável que os e-books gratuitos sejam elementos de conversão daqueles pouco familiarizados com os livros. Editoras privadas, ou seja, que precisam ser lucrativas para manter suas portas abertas, já oferecem livros que tanto podem ser lidos na tela do computador ou salvo em um pen-drive e levado até uma gráfica para impressão.

Os números do Domínio Público, portal do Ministério da Educação, um dos pioneiros no segmento de e-books gratuitos, mostram que os leitores brasileiros estão recorrendo mais a esta nova mídia. No período de novembro de 2004, quando foi lançado com um acervo de 500 obras, a dezembro de 2009, o portal teve 22.6 milhões de vistas. Hoje conta, em seu acervo com 130.841 textos, 11.194 imagens, 2.492 arquivos de áudio e 1.191 vídeos, que, somados, totalizam 145.718 obras disponíveis para download gratuito. Certamente esta biblioteca virtual do MEC é a plataforma mais conhecida e a mais acessada pelos internautas em busca de livros gratuitos.

Mas hoje há vários sites que se propõem a ir na contramão do mercado editorial convencional. É o caso de Os Viralata, no ciberespaço desde 2004. Na apresentação, explica-se logo que a grafia incorreta do nome do site é proposital, “uma maneira sutil de dizer que se o mercado empurra autores para a marginalidade, então que esses autores aprendam novas regras para poder sobreviver”.

Autores independentes

Uma das soluções é oferecer os e-books gratuitos, além de comercializar os títulos de todos os escritores independentes que usam aquele espaço. No momento, Os Viralata conta com três títulos para download: “O cabotino – um guia de anti-ajuda para literatos“, de Paulo Polzonoff Jr, “Urbanóides“, contos e crônicas, de Zander Catta Preta, e “Ovos de touro“, contos de Emerson Wiskow.

O jornalista paulista Cláudio Tognolli também fez isso com seu “Balenciaga Torres e os corações peludos“. Sua plataforma é o site da Editora do Bispo e está disponível em três versões e conta até com trilha sonora. Mas a Editora do Bispo, de Pinky Weiner, filha dos jornalistas Danuza Leão e Samuel Weiner, não oferece apenas os trabalhos de autores pouco conhecidos da grande massa de leitores.

O escritor irlandês Jonathan Swift, autor de “As viagens de Gulliver“, está na lista da irreverente editora paulistana, com a obra mais cáustica do escritor que morreu surdo e louco: “Manual para fazer das crianças pobres churrasco“. A própria Pinky Wainer tem lá seu livro “Vendo alma vagabunda com tatuaje del Che“, fortemente inspirado em Charles Bukowski.

Com seis títulos de free download, a Editora do Bispo é, de longe, a mais inovadora neste segmento, com diagramações arrojadas e pouco convencionais. Certamente ter em seu catálogo autores debochados como José Simão (“José Simão no país da piada pronta“) e Xico Sá (“Caballeros solitários rumo do sol poente – fulgor, sexo e morte na mais longa noite de San Pablo“) ajuda neste quesito.

No hotsite da Coleção Aplauso, o leitor vai encontrar uma profusão de biografias, como as de Fernanda Montenegro, Fernando Meireles, Beatriz Segall, entre outros monstros sagrados da dramaturgia nacional. Os cinéfilos vão encontrar roteiros de filmes, como “Cidade dos homens” e “Batismo de sangue“. Tem ainda Ensaios, como “A hora do cinema digital” e “Bastidores“. Outra categoria contemplada na coleção é a crítica, com os trabalhos de cinco autores, entre eles o colaborador do Diário do Nordeste L. G. de Miranda Leão, organizado pel a jornalista Aurora Miranda Leão.

Outros recursos

Muito embora não disponibilize toda a obra para download, a Jorge Zahar Editor oferece ao internauta a opção de salvar o primeiro capítulo de seus títulos. Uma estratégia de sedução mais ousada do que a da Amazon, que permite ao leitor apenas folhear as primeiras páginas, incluindo o sumário.

Recurso gráfico semelhante ao que se encontra no portal Cronópios, onde se pode ler três de seus e-pocket books, que têm até recursos de animação, como no “Kinopoems“, do cineasta Sylvio Back. O escritor cearense Carlos Emílio C. Lima está na lista com o romance inédito no imprenso “A velha do cavalo do menino da égua“.

A viagem de descobrir sites que oferecem obras – de desconhecidos a imortais nacionais e mundiais e melhor de tudo grátis – pode equivaler ao deleite de viajar nas páginas de um livro, pois em ambos os casos é uma viagem ao conhecimento.

Dicas

www.dominiopublico.gov.br – clássicos da literatura
aplauso.imprensaoficial.com.br – coleção de 186 títulos sobre as artes cênicas
www.zahar.com.br
www.editoradobispo.com.br
www.cronopios.com.br – revista literária, pockets eletrônicos
www.osviralata.com.br – site de autores independentes
www.gutenberg.org – dispõe de mais de 30 mil títulos
www.education-portal.com – oferece uma lista de 40 sites para baixar livros em inglês grátis.
www.bibvirt.futuro.usp.br – dispõe de uma bo a lista de audiobooks
www.bn.br/site/pages/bibliotecaDigital/bibsemfronteiras – tem que instalar um programa para baixar os títulos

Recursos para facilitar a leitura

Você achou aquele livro que queria tanto ler, mas o arquivo em PDF está em texto corrido em página de A4. Isso é um verdadeiro anti-clímax para o prazer de ler. Além disso, pode sair mais caro, se mandar imprimir. Uma saída estética e financeira é diagramá-lo. O programa BookletCreater faz isso. A partir do arquivo baixado, o programa faz a diagramação, permitindo dobrar as páginas impressas e grampear, aproximando-se mais do formato livro.

Outra novidade em termos de conforto de leitura é oferecido pelo site BookGluton, que foi criado pensando precisamente em fazer com a que leitura na tela seja o mais próximo possível da sensação de ler no papel.

Para quem quer ler uma obra em doses suaves pela internet e receber os capítulos na sua caioxa de e-mail há o Leitura Diária. Depois que você escolher o livro, você escolhe os dias, horário, tamanhos e tipos de formatação em que deseja receber os trechos da obra. Feito isso, o programa informa quanto tempo vai levar para completar a leitura da obra completa.

Voltado mais para estudantes, outras alternativas para baixar e-books são BibVirt (Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro), que fornece 52 importantes audiolivros. O Education Portal traz uma lista de 40 sites para baixar livros em inglês grátis.

Na área de entretenimento puro e simples, no Portal Literal, podem-se ver as famosas tirinhas “As cobras“, de Luis Fernando Veríssimo, em formato de animação, e ainda vê-lo tocando com sua banda de jazz.

O Projeto Gutemberg tem em seu acervo 30 mil títulos que podem ser lidos no computador, no iPhone, Kondle e outros leitores eletrônicos portáteis. No site, há um apelo para o internauta ajudar na digitalização dos livros.

Mas uma das propostas mais inovadoras no universo dos e-books é o a da Mojo: “Se música fosse literatura, que história contaria?”. A partir deste gancho, autores, em sua maioria desconhecidos, escolhem um álbum de uma banda ou de um cantor/a e criam uma história.

Tendo como slogan “uma editora 100% digital”, a Mojo, lançada em 2006, conta com mais de 130 títulos – de Rollong Stones a Luis Gonzaga, de Bauhaus a Odair José.

Laurisa Nutting

Fonte: Diário do Nordeste

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