“Os nômades não construiam grandes monumentos, não tinham pirâmides, nem colunas de pedra imponentes, nem templos e nem faróis perto do mar. Eram incapazes de cortar blocos pesados de pedra e carregá-los para longe, mas, de certa forma, eles não precisavam de monumentos. Um monumento é uma proclamação do que é importante e, para as pessoas que viveram há 15 mil anos, o céu e a terra stavam repletos de monumentos, alguns visíveis somente para aqueles com olhos treinados.

Para algumas sociedades nômades, o céu era um monumento criado por seus ancestrais, e sua terra tinha sido criada da mesma forma. Cada colina e serra rochosa, cada detalhe da paisagem tinham sido criados por esses seres quando começaram a viver na Terra.  Aos olhos dos primeiros australianos, as colinas, os penhascos, os animais e tudo o mais que fosse fundamental no próprio território da tribo eram quase monumentos sagrados para o culto aos ancestrais, e o ato original da criação tinha de ser repetido periodicamente através das danças, das cerimônias e dos rituais religiosos herdados desses criadores. Assim, as pessoas vivas matinham seu contato com aqueles que há muito tinham criado essa paisagem terrestre e celeste responsável pela vida.”
Geoffrey Blainey, em Uma Breve História do Mundo (Fundamento)

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