Em uma sequência de “Cleópatra”, o filme de 1963, a soberana egípcia interpretada por Elizabeth Taylor invade a sala onde está Júlio César e desafia, aos gritos, o ditador romano. “Como você ousa destruir a minha biblioteca?”, pergunta a rainha, enquanto vê arder, a distância, a Biblioteca de Alexandria. Hollywood não costuma ser muito fiel à história e a cena não foge à regra. Para muitos historiadores, a versão segundo a qual Júlio César incendiou acidentalmente a mais famosa biblioteca da Antiguidade não passa de mito. A eficácia da cena, porém, é inquestionável. Sem muitos rodeios, egípcios e romanos são postos em campos opostos. Os primeiros, sugere o roteiro, formam uma civilização antiga, guardiã da sabedoria da época, embora politicamente instável. Já os romanos são os senhores do mundo – detêm o poder político e militar -, mas não passam de brutos.
Milênios depois, parece que a biblioteca está pegando fogo novamente. Claro, em sentido figurado. Editoras, livrarias e autores – os principais elos da cadeia editorial – estão preocupados com o avanço de companhias de tecnologia como Apple, Amazon e Sony, ávidas em lucrar com seus leitores eletrônicos de livros. Para os pessimistas, essas empresas seriam os novos bárbaros, capazes de colocar abaixo o edifício ao minar as bases que há muito tempo sustentam negócio. Os mais otimistas veem exagero nisso tudo, mas concordam que os atores tradicionais do setor terão de mudar seu script para não sair de cena. Nos dois lados, prevalece a dúvida: afinal, qual será o futuro do livro?
“Vai haver uma coexistência. [O meio digital] é uma evolução natural do livro. Os consumidores dos livros físicos e dos digitais continuarão existindo porque são tipos de leitura diferentes”, diz Eduardo Mendes, diretor-executivo da Câmara Brasileira do Livro (CBL). “O público é que vai definir com que intensidade consumirá um tipo ou outro.” O tema ganhou tanta importância que o órgão organizou nesta semana, em São Paulo, o I Congresso Internacional do Livro Digital.
Não é de hoje que os livros em papel têm sido desafiados. Nos últimos tempos surgiram , por exemplo, os “audiobooks” – textos gravados em CD ou arquivos digitais, prontos para ser ouvidos no carro ou no tocador de MP3 – e a impressão sob demanda, que permite publicar um único exemplar, se o autor desejar. Mas nos dois casos as novidades foram…
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