A Universidade da Irlanda, mais conhecida como Trinity College, foi fundada em 1592 por Elizabeth I. Mantida pela cidade de Dublin, Trinity era para ser uma das academias de Ensino Superior da instituição, mas como nenhuma outra foi estabelecida, os dois nomes acabaram por definir a mesma coisa.

De início só eram admitidos alunos anglicanos para os cursos de graduação, mestrado, doutorado, para as congregações de docentes e para a obtenção de bolsas, mas em 1873 todas as exigências religiosas foram eliminadas.

É de sua belíssima e muito importante biblioteca que falaremos hoje. Guardiã de iluminuras, manuscritos, códices, in-folios e livros que são parte importante da herança ocidental, ela hoje contém 5 milhões de volumes impressos, inclusive uma impressionante coleção de jornais, mapas, partituras que nos ajudam a percorrer mais de 500 anos do desenvolvimento acadêmico europeu.

O prédio original, conhecido como Biblioteca Antiga, localizado no coração de Dublin, leva os visitantes de volta ao século XVIII, quando a maravilhosa edificação estava sendo erguida.

O salão principal, chamado de Long Room, com quase 65 metros de comprimento, guarda os mais antigos livros do acervo da biblioteca, cerca de 200.000. Quando foi construído, entre 1712 e 1732, as prateleiras ocupavam o andar térreo apenas. Em 1850 essas prateleiras estavam completamente tomadas e em 1860 o telhado foi levantado para permitir a construção de um teto abobadado e de uma galeria com mais prateleiras.

Ao longo do salão, estão os bustos de mármore que são uma das características da biblioteca. Coleção iniciada em 1743, inclui bustos de filósofos, escritores ocidentais e de personalidades de algum modo ligadas ao Trinity College, sendo que o mais valioso é o de Jonathan Swift, feito pelo escultor Louis François Roubiliac. Outros tesouros incluem uma das poucas cópias de Proclamação da República da Irlanda, de 1916 e uma harpa irlandesa que é a mais antiga de seu tempo, provavelmente do século XV, feita em carvalho e salgueiro, com 29 cordas. Essa harpa foi o modelo para o emblema da Irlanda.

Mas sua maior riqueza é o Livro de Kells (em inglês: Book of Kells; em irlandês: Leabhar Cheanannais), também conhecido como Grande Evangeliário de São Columba, um manuscrito ilustrado com motivos ornamentais, feito por monges celtas por volta do ano 800 d.C, no estilo conhecido por arte insular.

Peça principal do cristianismo irlandês, constitui, apesar de não ter sido concluído, um dos mais suntuosos manuscritos iluminados que restaram da Idade Média. Em razão da sua grande beleza e da excelente técnica do seu acabamento, este manuscrito é considerado por muitos especialistas como um dos mais importantes vestígios da arte religiosa medieval. Escrito em latim, o Livro de Kells contém os quatro Evangelhos do Novo Testamento, além de notas preliminares e explicativas, e numerosas ilustrações e iluminuras coloridas.

Assim como a Bodleian de Oxford, a biblioteca do Trinity College também tem direito ao depósito legal desde 1801 e continua a receber cópias de todo material impresso no Reino Unido e na Irlanda. Apesar de instituição secular, a biblioteca emprega métodos modernos para facilitar a pesquisa, o aprendizado e o ensino.

Dublin, Irlanda

http://www.bookofkells.ie/old-library/

http://www.tcd.ie/Library/

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