Dom João V fez o voto de construir um convento, voto que cumpriu em 1711, ao mandar erguer, na Vila de Mafra, o convento dedicado a Nossa Senhora e a Santo Antonio, para ser entregue à Ordem dos Frades Arrábidos. O edifício ficou pronto em 1730. O convento, originalmente, estava destinado a abrigar 13 frades, mas ao longo dos anos cresceu e tornou-se um palácio-mosteiro com capacidade para 300 monges.

Conhecido como o Palácio Nacional de Mafra, sua construção, com exceção da bela pedra branca de Lioz, típica de Portugal, foi quase toda feita com material importado da Itália, Holanda, França, Antuérpia e Brasil. Daqui foram todas as madeiras utilizadas e o ouro que pagou por todo o resto.

Todo o palácio é belíssimo. Chamam a atenção a Basílica e seu carrilhão com um total de 92 sinos que pesam mais de 200 toneladas e são considerados os maiores e melhores do mundo; as dependências para abrigar os doentes, sobretudo os que sofriam de doenças mentais; as escadarias; a proporção de seus ambientes; e o lavrado das pedras, realmente primoroso.

Mas o maior tesouro de Mafra é sua biblioteca que, juntamente com a biblioteca de Coimbra, representam o que de mais belo há nesse tipo de arquitetura em Portugal. As prateleiras, feitas em madeira brasileira, medem, ao todo, 83 metros de extensão. Entalhadas em estilo rococó, as estantes abrigam mais de 40 mil obras; entre elas vemos verdadeiras raridades bibliográficas, como incunábulos. Todas encadernadas em couro marroquino gravado a ouro, são prova viva de que as bibliotecas antigas são porta-jóias que guardam jóias.

A sala imensa, com 88 m de comprimento, 9,5m de largura e 13m de altura, recebe iluminação natural que até hoje impressiona pela perfeição com que a luz do dia foi aproveitada, invadindo o salão e iluminando o piso principal e a galeria, através de enormes janelas que além de funcionais, são muito belas.

A biblioteca tem planta em cruz; na parte mais a sul, ficam os livros religiosos. No centro, encontramos os livros sobre os quais a inquisição tinha reservas, que vão da filosofia à anatomia, e entre eles uma relíquia: o manuscrito do “Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente.

Na parte a norte da cruz, perto da entrada, estão os livros de arquitetura, direito, medicina e música. Há manuscritos religiosos ainda em pergaminho e uma primeira edição de “Os Lusíadas”, de 1572.

Mafra, Portugal

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_Nacional_de_Mafra

Fonte: Ricardo Noblat

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