Aos 14 anos, a maior tragédia pessoal: Irene, então com 39 anos, engravidara do terceiro filho, Paulo Gustavo, numa gestação de risco para a medicina da época. Complicações pós-parto (eclâmpsia, septicemia e anemia) acabaram provocando sua morte. Absolutamente chocado, Francis procurava explicações e resolveu culpar o pai por negligência. Adepto da Ciência Cristã, Adolpho acreditavam em curas espirituais e minimizou os males da mulher, situação reforçada pelo médico da família, que, segundo Francis, tratava da paciente apenas pelo telefone. Criada pela americana Mary Baker Eddy, a Ciência Cristã (“uma mistura de budismo incompreendido com Coca-Cola”) defende que os males físicos ou mentais decorrem dos maus pensamentos e, portanto, podem ser curados pela atitude positiva. Francis atribui a essa crença a causa ostensiva do conflito com o pai, cuja morte em 1973, aos 74 anos, teria sido apressada por ela – Adolpho se recusou a recorrer a médicos, apesar de sofrer de complicações tratáveis com medicamentos. Situação também vivida pela atriz Jean Harlow, cuja família professava tal fé. Com raiva, Francis lembra que Mary Baker Eddy morreu rica e cercada de médicos.

Paulo Eduardo Nogueira, em Paulo Francis: polemista profissional (Imprensa Oficial)

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