Com essa idade, “revoltado contra a ordem social, família, colégio, padres”, decidiu ser escritor ao ler Crime e castigo. O cerne revolucionário da obra de Dostoiévski é que “Raskolnikov racionalizava, e assim justifica, o assassinato de outra pessoa, em causa própria, pela capacidade maior que tem, teórica, de reorganizar a ordem das coisas, que ele destrói pelo ato consciente de um intelecto superior. Vale tudo, se você aguenta a parada, intelectualmente. A ordem estabelecida é uma tirania contra os súditos. Contra mim. A exaltação que essa palavras me causaram jamais igualada em qualquer experiência.” Dos 14 aos 27 anos, Francis leu tudo a seu alcance em média de seis horas por dia, maratona mais útil do que frequentar escolas (anos depois admitiria que ,dos 100 livros que lia por ano, raramente chegava ao fim de um, pulandos passagens desiteressantes em outros…). “Colégio é bom quando é para zorra, o esculacho.” Sua vida, contudo, não se limitada aos livros.

Paulo Eduardo Nogueira, em Paulo Francis: polemista profissional (Imprensa Oficial)
Imagem: Deiverson Ribeiro

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments