“Gêngis Kan movia-se de modo tão veloz, que frequentemente, sua arma era a surpresa. Às vezes, usava da nova invenção, a pólvora, caso tivesse de sitiar uma cidade fortificada. Geralmente, oferecia à cidade a chance de se render. O preço da rendição era um em cada dez habitantes da cidade e um décimo de sua riqueza. E, assim, seus escravos, soldados recrutados e sua riqueza multiplicavam-se. As cidades que não se rendiam eram sitiadas ou invadidas; massacres e carnificinas eram a marca registrada dos mongóis.
O vandalismo inteligente e sem piedade era outra de suas armas. Destruíam os sistemas de irrigação que representavam a vida de muitas terras aráveis ou devastavam a terra que cercava uma cidade sitiada, para que a borda de suas estradas e os campos ficassem repletos de corpos espalhados pelo chão. Quando avançavam em direção aos muros de uma cidade bem protegida, às vezes compeliam seus prisioneiros de guerra a irem à frente e formarem um escudo humano. Além disso, os líderes mongóis também impunham uma disciplina rígida entre o próprio povo.
A Grande Muralha da China era simplesmente um obstáculo a ser transposto pelos mongóis. Tomaram Pequim em 1215 e, com o tempo, fizeram-na a capital da China. Ao sul, ficava uma imensa área de terras ainda nas mãos dos chineses, e os mongóis lentamente a dominaram. Ocupar a China, a nação materialmente mais avançada do mundo, era quase equivalente  uma nação da parte central da África ocupar hoje os Estados Unidos e tornar Washington sua capital. …
Geoffrey Blainey, em Uma Breve História do Mundo (Fundamento)

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