“…o infortúnio dos chineses foi que, tendo liderado por muito tempo em muitos ramos da tecnologia, eles foram quentes e frios, criativos e letárgicos, na técnica que provou ser o portão de entrada para o fututo: eles fracassarm no mar. É verdade que inventaram a bússola, mas não o desejo persistente de navegar para o desconhecido. Eram cartógrafos habilidosos, mas seus melhores mapas eram de seus distritos agrícolas de pequena escala. Um mapa do mundo era de pouco interesse para eles, pois acreditavam que as planícies férteis da China eram o centro da Terra, um Jardim do Éden oriental, e que tudo além daquelas planícies era de menor importância.
Os cientistas chineses ainda acreditavam que a Terra fosse plana com uma borda definida muito depois de essa ideia confortante ter desaparecido na Europa. Não podiam ver sentido na atormentadora teoria, cada vez mais defendida na Europa, de que viajando para o oeste, em vez do leste, um navio europeu acabaria alcançando a China. Para os navegadores Chineses, em 1492, o corolário dessa ideia era que, navegando para o leste, eles acabariam chegando à Europa Ocidental. Se os chineses tivessem se agarrado a essa ideia, seus navios poderiam ter partido primeiro e descoberto a costa oeste das Américas bem antes de a costa leste ter sido descoberta por Colombo. Mas eles não acreditavam que a Terra fosse refonda.”
Geoffrey Blainey, em Uma Breve História do Mundo (Fundamento)

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