Fräulein parecia uma criança. Criança brasileira? Não, criança alemã. Diante da natureza, eu já falei, o alemão também tem suas admirações. Dava risadas, se virava pra olhar mais uma vez as vistas que ficavam atrás, voltava temendo perder as novas que passavam. Mil olhos tivesse, gozaria por mil olhos mil vezes mais. Aliás meso que fosse feia a paisagem, gozaria da mesma forma. Era o contato da natureza que sensualizava Fräulein, mais que o gozo das belezas naturais. Nem criança! animalzinho. Potranca na invernada, ema, siriema, passarinho. Os outros olhavam pra ela espantados, quase escandalizados. Ridícula, não?

(…)

Porém eu escrevi que Fräulein era o guri do grupo… depois corrigi para animalzinho. Estou com vontade de corrigir mais uma vez, a última. Fräulein é o poeta da exploração. exclama assombrada ante as águas que escachoam desabridas em arrepios de dor, com as entranhas varadas pelas itás guampudas. Porém logo deixa de olhar a cascatinha, pra se extasiar diante de um arbusto.

Amar, verbo intransitivo (Mário de Andrade)

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