Muitas campanhas são feitas, no Brasil, para incentivar a leitura. No entanto, antes de nos perguntarmos como fazer os brasileiros, principalmente os mais jovens, lerem mais, temos que nos questionar sobre o significado da leitura em si. Se indicamos a leitura aos nossos jovens, é porque queremos que a tomem como hábito. Logo, consideramos o ato de ler uma prática salutar e recomendável. Até aí, isso pode parecer óbvio. Mas vejamos como começamos a patinar quando nos perguntam: mas afinal, por que ler é saudável? Por que ler faz bem?
Alguns professores e muitos defensores da leitura terão respondido, seguindo a ideologia romântica de Castro Alves (“Bendito o que semeia ideias a mancheias e manda o povo pensar”): porque, lendo, o jovem adquire conhecimento e pode almejar um futuro melhor na vida, quiçá até ascender socialmente… Será?
Como incentivar a leitura numa sociedade que não lhe dá, na prática, o menor valor? Certo, o Brasil não é um país de leitores. Nunca o foi. Poucos foram os momentos em que a literatura conseguiu atingir, entre nós, um público mais amplo do que um pequeno grupo intelectualizado e fechado. Mesmo os nossos mais celebrados e consagrados escritores, como Gonçalves Dias, Machado de Assis ou Carlos Drummond de Andrade, foram e continuam sendo lidos apenas por uma pequena elite mais interessada e informada.
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Boa parte do sucesso de escritores como Paulo Coelho se dá exatamente porque eles apenas reafirmam, com ares de grande descoberta, o óbvio mais ululante, o lugar-comum que, de tão evidente, torna-se mesmo incontestável e, portanto, cria um elo imediato entre os leitores e o autor, já que os primeiros concordam totalmente com as colocações, irrefutáveis de tão evidentes, do autor.
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E assim, voltamos à questão do início: por que ler? Certamente há inúmeras respostas a esta questão. Mas quase todas são variações sutis de um denominador comum: para sentir.

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