“A paixão é o mais puro de todos os sentimentos: ela deseja uma coisa somente. Mas essa coisa que ela deseja, e que se mostra no retrato, mora num corpo habitado por muitas outras imagens, não amadas. Juntas, no mesmo corpo, a Bela e a Fera. A estória é até generosa porque as feras são belas. Haverá coisa mais bela que um tigre? Lya Luft dizia do seu amado, Hélio Pelegrino, que ele era fera: batia portas, brigava no trânsito, rachou um telefone que não dava linha. Mas nele morava um inesperado riso de menino.”
Rubem Alves, em Retratos de Amor (Papirus)

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