Este é um mundo de retribuição, em que ninguém ama quem não tem nada a oferecer. Quem são os nossos favoritos? Os notáveis, os talentosos, os destacados, os fluentes, os bonitos, os ricos, os famosos, os sábios, os espirituais, os afinados, os inteligentes, os que lembram o nosso nome. Quanto mais admiráveis nos parecerem as qualidades de alguém, mais naturalmente – mais inevitavelmente – essa pessoa parecerá merecedora do nosso amor.
Nossa tendência mais natural é amar as pessoas pelo que são capazes de fazer, seja essa capacidade efetiva ou potencial. Nisso consiste o que chamo de Lei Crua do Amor: não amamos as pessoas, amamos suas competências.
Com raras exceções, a Lei Crua do Amor rege todos os nossos relacionamentos e todas as nossas afeições. Sei muito bem aqueles que me sinto tentado a amar: os virtuosos, os compassivos, os articulados, os bonitos, os fluentes, os criativos, os destemidos, os galantes, os que sabem dançar, os indomáveis, os modestos, os heróis que não conhecem o seu próprio valor. São essas as competências que estão no topo da minha lista. Mas cada pessoa estabelece o próprio critério de seleção. O que temos todos em comum é a tendência de amar aqueles que demonstram ter a competência que admiramos.

– Paulo Brabo, em Bacia das Almas

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