Mostra cinematográfica exibe adaptações de clássicos e ‘cults’ da literatura para o cinema.

Só a chance de ver em tela grande o magistral desempenho da grega Irene Lelekou Papas em “Erêndira”, pinçado pelo moçambicano Ruy Guerra da obra do colombiano Gabriel García Márquez, já tornaria a mostra A Literatura no Cinema, em cartaz de hoje até o dia 25 na Caixa Cultural, atração obrigatória para leitores e cinéfilos. É uma raridade ver a produção teuto-franco-mexicana – agendada para o encerramento do festival – que levou Guerra a disputar a Palma de Ouro em Cannes em 1983. Mas, de James Joyce (“A alucinação de Ulisses”, de Joseph Strick, a ser exibido no dia 21) a Clarice Lispector (“A hora da estrela”, de Suzana Amaral, com sessão no dia 22), o festival revê encontros de autores literários com cineastas autorais.

– Foi um processo longo até conseguirmos “Erêndira”, um filme que quem viu considera uma obra-prima, quem desconhece tem no imaginário como um filme a ser descoberto. Mesmo com a ajuda do Ruy e da Janaína Diniz, filha dele, só encontramos uma cópia no Arquivo Nacional – diz Carolina Benjamin, diretora-geral da mostra ao lado da atriz Leandra Leal e da roteirista Rita Toledo.
Assinada pelo roteirista e cineasta David França Mendes, a curadoria da mostra escolheu para a abertura, nesta-terça, a partir das 15h, o tema “Cinema de escritores”. Serão exibidos “Cesária” (1978), dirigido por Marguerite Duras (1914-1996), autora de “O amante”, e “O sangue de um poeta” (1930), de Jean Cocteau (1889-1963).

– Essa primeira sessão aborda o trabalho de escritores e poetas que puseram a mão na massa e dirigiram filmes ou produziram roteiros. Na abertura (às 19h), vamos exibir “Film” (1965), escrito por Samuel Beckett, sem diálogos. É engraçado termos um filme sem palavras em uma mostra de literatura. Pensar em literatura no cinema é pensar na palavra – diz David França Mendes, diretor de “Um romance de geração” (2008), adaptado de Sérgio Sant’Anna, que a mostra exibe no dia 24, às 15h.

Entre os filmes que incluiu para a primeira semana da retrospectiva, Mendes cita o japonês “A mulher de areia”, de Hiroshi Teshigahara, ganhador do Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes de 1964 e indicado aos Oscars de direção e de melhor filme estrangeiro.

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Fonte: O Globo




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