Daqui a oito dias, na última segunda-feira do mês, o animal mais conhecido do mundo dos livros vai se aboletar em prateleiras por toda parte do país na companhia de uma língua com a qual nunca teve lá muita intimidade: o português. O encontro foi anunciado no ano passado, e os curiosos com o resultado foram tantos que os responsáveis tiveram que rever seus planos. Os primeiros livros da parceria entre a multinacional Penguin e a brasileira Companhia das Letras chegam às livrarias no próximo dia 26 em tiragens entre oito mil e 18 mil exemplares, mais que o triplo dos cinco mil previstos inicialmente, graças às encomendas de livreiros que apostam no interesse em torno do maior acontecimento do mercado editorial nacional em 2010.
A sociedade Penguin-Companhia promete trazer ao Brasil a fórmula que fez da empresa inglesa uma importante marca mundial: livros de qualidade em edições cuidadas, a preços baixos. Uma combinação ainda não muito comum num país em que livros tradicionalmente são um luxo para poucos, e onde as principais editoras ainda começam a investir nas edições de bolso.
A primeira leva é de quatro títulos: “O príncipe”, de Maquiavel, ganhou nova tradução direto do italiano por Maurício Santana Dias, e prefácio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (leia trecho na página 2); o romance “Pelos olhos de Maisie”, de Henry James, em tradução revista por Paulo Henriques Britto; e as coletâneas, organizadas pelo historiador pernambucano Evaldo Cabral de Mello, “O Brasil holandês”, com textos históricos do século XVII, e “Joaquim Nabuco: Essencial”, seleção de textos do abolicionista, cuja morte completa cem anos em 2010. Os quatro, como todos os títulos da Penguin-Companhia, serão lançados também em e-books, mas por questões comerciais e tecnológicas por enquanto não serão compatíveis nem com o Kindle nem com o iPad. As obras (que já estão em pré-venda nas principais livrarias brasileiras) terão ainda guias de leitura e aulas na internet, complementos direcionados para o mercado educacional, um grande alvo do selo.
Com preços entre R$ 15 e R$ 35, as edições brasileiras não serão tão baratas quanto os primeiros livros lançados pela Penguin nos anos 30, que custavam o mesmo que um maço de cigarros. Ainda assim, podem preencher uma lacuna, acredita Matinas Suzuki, diretor de comunicação da Companhia e editor do selo:
– Não vejo no Brasil hoje ninguém trabalhando com consistência o mercado de clássicos. O que você tem são, de um lado, edições populares não muito caprichadas, e, de outro, edições de luxo ocasionais. Entre as duas, há um espaço que nós queremos ocupar.
 

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Fonte: O Globo

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