Títulos que fazem sucesso entre adolescentes dividirão espaço com clássicos da literatura


“Senhora”, “Memórias de um Sargento de Milícias”, “O Cortiço”. Que levante a mão aquele que nunca se deparou com estas obras ao longo de sua vida escolar. Amados por uns, detestados por outros, a escolha dos livros trabalhados em sala de aula sempre causou certa polêmica entre os alunos e professores. Para tentar agradar a gregos e troianos,  o Ministério da Educação montou uma lista diversificada das obras que serão enviadas às escolas públicas do sexto ao nono ano do ensino fundamental em 2011.
Foto: Reprodução
MEC vai distribuir livros para vários gostos aos alunos da rede pública | Foto: Reprodução
Além de clássicos de Machado de Assis e José de Alencar, o acervo inclui títulos como “Para Sempre”, da escritora americana Allyson Nöel, nova sensação entre os jovens, além de “Percy Jackson e o Ladrão de Raios”, que já ganhou sua versão para os cinemas nos EUA.

“Os professores precisam lidar com certas realidades em sala de aula e uma delas é que o padrão de leitura dos alunos mudou. Eles hoje se interessam muito mais por Crepúsculo e Harry Potter do que por Quincas Berro D’Água e O Cortiço”, afirma o professor de portuguës Felipe Diogo. “É preciso respeitar seus gostos e conseguir uma forma de aliar o novo e o tradicional”.

De acordo com o MEC, as escolas receberão os livros independentemente do número de alunos matriculados. A escola com o menor número de estudantes receberá um acervo com 50 títulos e as maiores, três acervos com 150 títulos. Dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia do MEC responsável pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), mostram que 49.799 escolas do sexto ao nono ano do ensino fundamental e 17.830 do ensino médio serão atendidas. No conjunto, o PNBE 2011 vai distribuir para essas bibliotecas escolares 7 milhões de livros de literatura.

Aluna do sétimo ano da escola municipal Cuba, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, Letícia dos Santos gostou da iniciativa do ministério de acrescentar títulos de sucesso à lista. Fã dos vampiros adolescentes da saga de Stephanie Meyer, ela garante que muitos de seus colegas no colégio também ficarão animados com a notícia. E torce para que sua escola seja contemplada com alguns destes títulos mais atuais.

“Sei que esses livros mais antigos são necessários nas aulas. Mas a leitura é chata e a gente lê mesmo por obrigação, não por prazer. Eu estou lendo Pra Sempre agora e estou adorando. Tomara que possamos estudá-lo em sala de aula também”, afirma. O livro a qual Letícia se refere é o primeiro volume da série “Os Imortais” e conta a história de Ever Bloom, garota que perde a família em um acidente de automóvel e adquire poderes especial depois da tragédia familiar. Sem saber como lidar com seus dons, Eve vai contar com a ajuda do misterioso Damien, por quem se apaixonará.

Segundo a coordenadora geral de materiais didáticos da Secretaria de Educação Básica (SEB) do ministério, Jane Cristina da Silva, o objetivo da secretaria é incentivar e desenvolver o gosto pela leitura, exercitar a criatividade e a crítica e contribuir com a formação cidadã dos estudantes. 

O programa deve contribuir também para a construção de acervos das bibliotecas escolares. A seleção das obras do PNBE 2011 foi realizada pelo Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A instituição recebeu 1.938 inscrições de livros, dos quais selecionou 300.

Mas nem só de romances açucarados é feita a lista do PNBE. Os fãs de histórias em quadrinhos também podem comemorar, já que cerca de 10% dos títulos é composto por HQ`s (abreviação de histórias em quadrinhos). Entre adaptações de clássicos ada literatura nacional e internacional, estão “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, e “O Guarani”, de José de Alencar. O pai da Turma da Monica, Maurício de Sousa, também está presente, com o livro-homenagem “MSP+50”. As HQ’s “Persépolis”, da iraniana Marjane Satrapi, “Demolidor” e “O Curioso Caso de Benjamin Button” têm tudo para agradar os adolescentes.

“Temos que fazer da leitura um hábito. E esses títulos, que muitos consideram inapropriados para trabalhar em sala de aula, podem despertar o interesse dos alunos por clássicos da literatura nacional e international. Porque não trabalhar Crepúsculo e Romeu e Julieta? Ou Percy Jackson e Pedro Bala, de Capitães de Areia? Um não depõe contra o outro. Muito pelo contrário. Eles podem servir de elo para trabalhos vastos em sala de aula”, finaliza Felipe Diogo. Os alunos do ensino fundamental agradecem.

Comments

comentários

Powered by Facebook Comments