Na Flip, pela primeira vez desde 2003, discutiu-se o futuro do livro, assunto que antes só era comentado aleatoriamente em mesas dedicadas a outros assuntos. A demora foi aplacada com duas mesas sobre o tema, uma na noite de quinta-feira (5) e outra na manhã de sexta-feira. No primeiro dia, o historiador e diretor da biblioteca de Harvard, Robert Darnton, e o também historiador Peter Burke falaram sobre a história dos livros. Hoje de manhã, Darnton voltou à mesa de debates, desta vez acompanhado de John Makinson, presidente da Penguin Books, gigante dos livros baratos que aportou recentemente no Brasil associada à editora Companhia das Letras.

A conversa do primeiro dia, uma espécie de introdução ao assunto, foi sonolenta e desinteressou ao grande público da Festa, que esvaziou a Tenda do Telão antes do fim. Falou-se da literatura pornográfica francesa, do século XVIII, da história das enciclopédias – citando a Wikipedia, elogiada por Burke –, e um painel sobre a história dos direitos autorais. O assunto da moda, o futuro em tempos de Kindles e iPads, ficou para a manhã de hoje.

O segundo debate envolveu mais o público, um pouco menor na Tenda do Telão por conta da bela manhã de sol em Paraty – em uma cidade como esta, é inevitável a disputa entre os livros e a praia. A Tenda dos Autores, porém, estava lotada, como sempre.

O interesse do público acabou não se revertendo em qualidade. Os temas foram discutidos apenas superficialmente, e quem acompanha a cobertura da imprensa sobre o assunto no último ano acabou ouvindo apenas obviedades.

Foi importante, porém, o depoimento de Darnton, à frente do projeto de digitalização da biblioteca de Harvard. Segundo ele, o Google está longe de ser o parceiro ideal para a difusão do acervo. “Admiro o Google, e é ótimo que eles tenham digitalizados dois milhões de livros, todos de domínio público. Mas eles queriam digitalizar bibliotecas como a de Harvard, de graça, e cobrar pelo acesso aos livros. Seria o monopólio do conhecimento ”, disse Darnton, aplaudido pelo público.

Outra discussão relevante, mas tocada apenas superficialmente, foi o debate sobre o formato dos arquivos digitais, e o risco de se perder o conhecimento produzido por anos apenas porque o formato ficou obsoleto. Darnton fechou a palestra dizendo: “Já tivemos o anúncio da morte do livro, da morte do autor e agora da morte da biblioteca. Acho que não acredito mais na morte”. Aplausos.

Nenhum Kindle ou iPad foi visto na mesa de autógrafos dos três.

via Época

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