O MODISMO CHAMADO “O Código Da Vinci”, o romance histórico-policial de Dan Brown, estava no auge quando o Eurostar, serviço europeu de trens de alta velocidade, divulgou a notícia de que, ao cabo de um ano, quase mil exemplares do best-seller haviam sido deixados na linha Londres-Paris.

“O que pensar disso?”, perguntou-se uma colunista, chocada. “Devemos achar que as pessoas jogam livros fora como se fossem lenços de papel?”, perguntou outro articulista -ambos na França. “Sinal da má qualidade da trama”, concluiu viperinamente um suplemento cultural. “Quantos exemplares não foram atirados pela janela ou descartados no vaso do toillette!?”, debochou o colunista.

Os promotores do filme baseado no livro não demoraram a usar a notícia a seu favor. O mistério dos livros perdidos se converteu em jogada de marketing. O fenômeno seria um sinal do envolvimento dos tantos leitores que, no embalo de Dan Brown, pegavam o trem para visitar o Museu do Louvre para ver de perto a tela do pintor renascentista.

SUPEROFERTA O descarte de tantos “Código Da Vinci”, por um motivo ou outro, trazia de volta, porém, o antigo debate -que data do século 18- sobre a superoferta de títulos. O mal-estar com o excesso de informação só se intensificou no começo do 21, como lembra à Folha o historiador Robert Darnton, autor de “A Questão dos Livros – Passado, Presente e Futuro” (trad. Daniel Pellizzari, Companhia das Letras). No início do mês, ele foi uma das atrações da Flip.

Quando tantos anunciam o fim do livro, nunca se publicou tanto: a cada ano, são cerca de 1 milhão de títulos, com milhares de exemplares por tiragem, acrescenta Darnton. Ele adora repetir esses números quando lhe perguntam sobre o “fim” do livro.

Não é outra a reflexão de Michel Melot, historiador francês, autor de “Livre”, ainda sem tradução no país. Desde 1880, lembra ele, anuncia-se o fim do livro. “Mas a única crise, hoje, parece ser a de superprodução”, afirmou, por e-mail, de Paris. Como conta Melot, de 1980 a 2000, o número de títulos lançados dobrou na França. O fenômeno também pode ser observado no mercado anglo-saxão ou latino-americano. “O livro não desaparece: está se tornando comum. Pode ser encontrado em qualquer momento da vida cotidiana e em cada mão.”

Leia + (via Folha.com)

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