O processo de incentivar a leitura na infância deve começar ainda enquanto recém-nascido, para que a colheita de informações comece cedo. Professoras de algumas escolas de Brasília indicam que a melhor maneira de ensinar as crianças a gostar de ler é deixá-las sempre com muitos livros por perto. “É na infância que todos os hábitos se formam. E a literatura infantil é um caminho que leva a criança a desenvolver emoções, sentimentos e a imaginação de forma prazerosa e significativa. Ela contribui, portanto, no desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança”, explica Silvana Bergmann, orientadora do ensino fundamental no Centro Educacional Sigma.

Independentemente do tipo de literatura, é importante que os alunos tenham contato com os livros e com várias formas de escrita. Desde a narrativa dos gibis, até crônicas, poesias e poemas, as crianças devem ficar estimuladas à leitura e acostumadas a conviver perto das obras. Essa influência pela leitura não deve ficar restrita aos professores, mas também, os pais têm grande participação nesse processo.

“Hoje em dia as crianças têm muito mais interesse na leitura do que antigamente, até porque os pais começaram a perceber essa necessidade. Essa mudança ajudou bastante a incentivar as crianças”, explica Camilla Martins, professora de língua portuguesa do 5º ano do Centro Educacional Católica de Brasília (CECB).

Estágios da leitura
Professoras explicam que antes mesmo de os pequeninos serem alfabetizados, eles já são capazes de entender textos com figuras, aprendem a segurar um livro e ganham familiaridade com as palavras. “Existem cinco categorias que norteiam as fases do desenvolvimento psicológico da criança: o pré-leitor, o iniciante, em processo, o fluente e o crítico. Inúmeros pesquisadores têm-se empenhado em mostrar a importância de se incluir o livro no dia-a-dia da criança”, explica Silvana.
O exemplo dos pais e dos professores, ouvir histórias desde cedo, frequentar livrarias, ter contato direto com livros, criação de biblioteca doméstica, ser estimulada à leitura, ou seja, incluir possibilidades para ler de todas as formas possíveis, são fatores que contribuem para a criança despertar o gosto pela leitura.

“Pode começar, por exemplo, no banho, ao mostrar imagens em que ele faz uma leitura acidental. Quando parte para escola isso será intensificado. Na educação infantil existe a leitura formal e informal. O momento mais informal é com gibis, revistas infantis e panfletos, onde as crianças devem ter o momento em que a gente pega o livro e folheia. E a formal, onde o professor arruma o ambiente e faz a leitura com os alunos”, explica a coordenadora do CECB, Luciana Abrantes.

Além do incentivo, as professoras do maternal buscam acabar com a história de que eles não sabem ler. “A gente fala para eles pegarem os gibis, e eles conseguem entender o texto por meio de imagens. Assim eles começam a encontrar a primeira letrinha do nome, porque nós estimulamos desde cedo”, explica a professora Tânia de Araújo.

Para as especialistas, durante o seu desenvolvimento, a criança passa por estágios psicológicos que precisam ser observados e respeitados no momento da escolha de livros. “Essas etapas não dependem exclusivamente de sua idade, mas do nível de amadurecimento psíquico, afetivo e intelectual e seu nível de domínio do mecanismo de leitura. É necessária a adequação dos livros às diversas etapas pelas quais a criança normalmente passa”, completa Silvana.

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