“Era o dia 25 de dezembro. Na noite da véspera, Papai Noel havia visitado as crianças da vizinhança deixando para cada uma dela um presente. Eram presentes simples. Uma bola. Uma boneca comprada em loja, de celuloide, material antepassado do plástico. Uma boneca de pano que alguém fizera em segredo. Um caminhãozinho de madeira que se comprava na cadeia. Os presos, sem ter o que fazer, transformavam-se em fabricantes de brinquedos. Sim, parecia que Papai Noel visitara todas as crianças da redondeza. E todos os meninos e meninas saíam à rua, exibindo a sua alegria. Menos o Vinícius, menino de seis anos, meu vizinho. Papai Noel se esquecera dele. Ele estava muito longe, entregue a amores de capital. O Vinícius então apareceu puxando o presente que ele mesmo fizera: uma caixa de sapatos, amarrada a um barbante.”
Rubem Alves, em Do universo à jabuticaba (Planeta do Brasil)

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